Errático

10/05/2008 17:14

O hipócrita do cinema 2

Diga-se, ainda, que após esse filme infame, Stone conseguiu se superar fazendo filmes ainda piores, como "Nascido em quatro de julho" e o horroroso "JFK", com sua teoria pseudo-conspiratória levada às últimas consequências. Mais recentemente, ele voltou ao ataque, com seu oportunismo incontrolável, abordando os ataques de setembro de 2001, como o megachato "As torres gêmeas", com o Nicolas Cage e sua eterna cara de choro.
Voltando aos filmes de guerra sobre o Vietnã, somente dois diretores tiveram a coragem de abordar o assunto como aquilo que ele realmente é, ou seja, uma guerra como qualquer outra, louca, sangrenta e sem sentido. Trata-se de dois gigantes, Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick. O primeiro fez "Apocalipse now", tomando como base o fantástico romance "Coração das trevas", de Joseph Conrad, trazendo o ambiente de sonho e loucura do escritor polonês para a selva vietnamita, com um Marlon Brando antológico e assustador, em uma participação pequena no tempo mas grande em intensidade. O segundo fez aquele que, na minha opinião, é o melhor filme já feito sobre o assunto. Trata-se de "Nascido para matar" (Full metal jacket), que pode ser dividido em duas partes. Na primeira metade do filme, antológica, o filme mostra o treinamento dos recrutas que vão ao Vietnã como uma verdadeira "máquina de moer carne", com consequências desastrosas. A segunda, não tão boa quanto a primeira, mas ainda assim excelente. Mostra os soldados treinados enfrentando o imponderável, escombros movendo-se sobre escombros. Ambos os filmes ressaltam a loucura do ser humano que emerge em uma guerra, trazendo o pior de cada um, como em um clima de sonho, na qual as coisas parecem não estar acontecendo de verdade, onde não há sargentos "bons" ou "maus", mas apenas seres humanos buscando sangue.
Quanto a Oliver Stone, acho que ainda não nos livraremos dele tão cedo, por isso espero seu próximo filme para falar mal dele, claro.
Por enquanto é só, inté.
enviada por DouglasReis


10/05/2008 16:58

O hipócrita do cinema

Como já prometido há muito tempo, retorno a este meu espaço para falar de filmes de guerra, especialmente a do Vietnã e, claro sobre o maior hipócrita do cinema, o norte-americano Oliver Stone.
Que os EUA são o povo mais cínico e reacionário do planeta, creio que é quase um consenso. Mas a guerra do Vietnã, mais até do que os atentados de 11 de setembro de 2001, mostra-se um episódio exemplar do caráter desta estranha gente.
Neste sentido, muita gente acreditou na ladainha da maioria dos filmes de guerra sobre o Vietnã, que ou se mostram como super-heróis (Rambo), ora como vítimas. Em ambos os casos, estão mentindo. Neste campo fértil em podridão vicejou o reacionarismo travestido de liberalismo de Oliver Stone. Trata-se de um diretor medíocre, com filmes medíocres, que perpetrou o filme mais ignominioso já feito sobre a guerra do Vietnã: trata-se de "Platoon" (1986), na qual o diretor (que diz ter se baseado em sua própria experiência no "front") adota o esquema maniqueísta de um sargento "bom" e um "mal", bem como o expediente de mostrar os soldados vietcongs como assassinos silenciosos, que apavoram os soldados americanos. O filme é chatíssimo e se pretende filosófico, metafísico, chame como quiser, mas não passa de um monte de vazio. No entanto, à época, levou uma penca de prêmios pelo mundo afora e foi aclamado por muitos como um testamento cinematográfico do período.
A verdade nesta estória é que os americanos encontram-se hoje no mesmo atoleiro, com relação ao Iraque. Trata-se de uma guerra que não conseguem vencer e cuja derrota não conseguem admitir. No Vietnã, os mortíferos guerreiros vietcongs eram mal armados, mal alimentados, eram bombardeados dia sim, o outro também, comiam rato morto com arroz. Ou seja, passaram muito longe do que foi mostrado em "Platoon". Só venceram a guerra porque, futebolisticamente (ou lulisticamente) falando, jogavam em casa e contavam com o apoio da torcida (o resto do mundo). Mas os EUA não admitem que apanhavam de bêbado e, ao tirar o time de campo, empreenderam um esforço midiático a nível mundial para amenizar a vergonhosa derrota, pulando do extremo de vítimas a heróis. Daí resultaram os "rambos" e seus subprodutos e, claro, "Platoon".
enviada por DouglasReis


03/05/2008 18:10

O espírito dos quadrinhos chega ao cinema

Aqui estou, redivivo, para falar de um assunto que me diz respeito e, acredito, deve dizer respeito a muita gente: quadrinhos e cinema.
E devo dizer, para começar, que esse texto não é indicado aos preconceituosos que consideram os comics como uma forma inferior de arte (ou nem arte consideram)ou "coisa de criança". Acredito que muitos, como eu, tornaram-se admiradores da literatura e do cinema pela porta dos quadrinhos e de alguns de seus grandes gênios.
Neste sentido, sempre tive uma predileção pelos super-heróis, colecionei, durante muito tempo, os x-men (especialmente por causa do Volverine), os vingadores, hulk, batman, demolidor (uma revista então fracassada que um jovem Frank Miller assumiu e transformou em um estrondoso sucesso). Sem contar as "graphic novels", edições especiais com estórias dissociadas da cronologia do personagem, tendo à frente grandes nomes do ramo, como o já citado Frank Miller, Neil Gaiman, Allan Moore, Mike Mignola, dentre outros.
Mas de todos estes heróis, com seus poderes incríveis e habilidades sobre-humanas, um para mim se destacava e era o meu favorito. Trata-se do "spirit", uma criação do maior gênio dos quadrinhos do séc. XX, o norte-americano Will Eisner. Publicado como tira diária desde 1941 até 1952, durante algum tempo foi lançado no Brasil como revista mensal, da qual adquri, quando adolescente, diversas edições. O spirit não tinha super poderes ou habilidades, usava apenas os punhos e a astúcia para combater o crime. Batia, mas apanhava muito também e tinha um senso de moral nem sempre linear, embora não transigisse quanto ao lado em que lutava. Tudo isso somado à atmosfera de "film noir" e ao jogo de luz e sombra que caracteriza a Central City onde vive o herói como um lugar sombrio e devastado pelo crime, fazem desta magnífica série de quadrinhos uma das grandes obras de arte do século passado.
Agora, em meio à moda de adaptações de heróis das HQs para o cinema, recebo a agradável notícia de que Frank Miller (grande admirador de Eisner, de quem copiou diversos expedientes técnicos em suas criações, como o "Cavaleiro das Trevas", por exemplo) já está preparando a adaptação para as telonas das aventuras do ex-policial Danny Colt. Responsável pela melhor adptação de HQ para o cinema já feita, "Sin City"(junto com Robert Rodriguez), faço votos para que Miller tenha, pelo menos, a mesma sorte com o meu personagem de quadrinhos preferido. Há um trailer no youtube, para quem quiser conferir. Aguardarei ansiosamente!





enviada por DouglasReis


01/05/2008 13:40

Trabalhando no dia do trabalho

Neste belo feriado, nada melhor do que trabalhar...
Bom, tenho muita coisa para estudar e meu computador continua na UTI, por isso, em homenagem a esta data e lembrando que, atualmente, "trabalhador consciente" é só aquele que ainda não morreu na mesa de trabalho, recomendo, a quem se interessar pelo assunto, alguns filmes que ainda tratavam a questão da luta do trabalhador contra a miséria sem afundar no pântano do panfletarismo barato.
E um deles é brasileiro. Trata-se de "Eles não usam black-tie", baseado na peça de teatro de Gianfrancesco Guarnieri. Direção econômica, diálogos e interpretações inspiradas.
Outros são pertencentes ao cinema italiano dos anos 60 e 70, antes de mergulhar na superficialidade de hoje. Vale destacar "Ladrões de bicicleta", de Vitorio de Sica, mostrando que o trabalhador é, antes de tudo, apenas um homem.
Ah, e falando em cinema político, não dá para não recomendar o grego Constantin Costa-Gravas, e seus dois melhores filmes, "Z" e "Estado de sítio". Costa-Gravas era politizado, mas não tapado, como se costuma ser nos dias de hoje. O homem, o trabalhador, é um ser político, mas a política, infelizmente, é feita de (e por) homens.
Fico por aqui, me sinto muito sério quando tenho que estudar semântica. Volto em um momento de melhor humor.
enviada por DouglasReis


19/04/2008 15:37

Querida, cheguei!

Por enquanto meu computador ressucitou, em sua épica luta pela sobrevivência. No entanto, muitas tarefas da faculdade me esperam. Por isso, volto amanhã (eu acho) para falar de Oliver Stone e de filmes de guerra, como já amplamente prometido.
enviada por DouglasReis


06/04/2008 23:00

Clube da luta - parte 2

O problema é que depois o filme descamba para uma desonestidade intelectual sem tamanho, lembrando os melhores momentos do maior hipócrita do cinema americano, Oliver Stone. Os personagens se consideram "os excluídos da América", mas não passam de um bando de mauricinhos mimados se fazendo passar por rebeldes. E, como nos bons filmes americanos, o protagonista, que se encontrava mergulhado em uma espiral de loucura, de repente "toma consciência" de seu estado e passa a lutar contra o seu amigo imaginário. Vence a luta e, claro, fica com a "mocinha" no final. Os estereótipos são esses mesmos, só foram embrulhados com uma embalagem diferente, "moderna", "rebelde", chamem como quiser.
Só fico imaginando o que um tema como esse renderia nas mãos de um diretor como David Cronemberg, um intérprete muito mais consistente do lado sombrio e violento da alma do homem. E chega, porque já gastei muitas linhas com um filme tão fraco. Inté.
enviada por DouglasReis


06/04/2008 22:35

Clube da luta

O problema de escrever sobre filmes e livros, muitas vezes, é confiar na memória. Para quem não sabe, a danada é traiçoeira e, não raro, nos prega peças. Mas eu acredito na existência de uma "memória emocional", muito mais confiável.
Antes que o impávido leitor ache que eu comi maionese estragada nesse domingo, esclareço que elaborei este fantástico prolegômeno (procure no dicionário!) para falar sobre "Clube da Luta", que reassisti.
Em um post anterior, classifiquei o filme como "horrível", o que provocou a ira de alguns leitores e amigos. Um deles, caridosamente, me emprestou o filme. Há alguns anos atrás, quando o assisti pela primeira vez, não tive uma boa impressão. Por isso, acho que exagerei um pouco ao qualificar o filme de "horrível". É apenas "ruim" mesmo.
Justifico: a premissa é boa e o filme até que começa bem, algo de que não me lembrava com exatidão. A idéia de alguem que não suporta a vida medíocre (essa é para vc, Julio) que leva e resolve extravasar suas frustrações através da violência e da "subversão" não é ruim, mas já foi melhor explorada (vide o ótimo "Um dia de fúria", de Joel Schumacher, com Michael Douglas).

enviada por DouglasReis


02/04/2008 09:39

Chove lá fora e aqui...

Lá fora a chuva, aquele friozinho, aqui dentro um trabalho entusiasmante de semântica para fazer, me dá vontade de saber, aonde está você, me telefonaaaaaaa.....na falta de inspiração de hoje, peço licença para um momento poético e apresento Manoel Bandeira, um poema que relata meu estado d'alma:

POEMA DO BECO

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
__ O que eu vejo é o beco.

Até.
enviada por DouglasReis


31/03/2008 10:14

Diário de bordo

Ainda não reassisti "Clube da Luta", um de meus caridosos colegas vai me emprestar, falo sobre o assunto depois. Nesse fim de semana (re)vi "Forrest Gump", de Robert Zemeckis. Este filme é um exemplo de como nossas opiniões podem mudar sempre. Quando foi lançado, em 1994, não reagi bem, principalmente porque ele concorreu no Oscar com um filme que eu preferia, "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, que eu considerava à época (ah, a juventude!) um revolucionário do cinema. Acabei ficando com ojeriza a "Forrest Gump". Minhas razões, contudo, eram emocionais. Hoje, analisando de forma distanciada, percebo que a premiação foi merecida, comparando-se os dois filmes que citei. E isto porque Tarantino, apesar de ser um bom diretor e uma bibilioteca de referências pop, não é nenhum gênio, enquanto "Forrest Gump" é, sim, um bom filme, a ultima boa sacada de Zemeckis, responsável pela trilogia mais divertida do cinema, "De volta para o futuro". E pensar que recentemente ele esteve à frente do horrível "A lenda de Beowulf". "Gump" é, acima das ótimas interpretações (especialmente do indefctível Tom Hanks, que levou o Oscar de melhor ator naquele ano), uma sombria demonstração de que a idiotia norte-americana pode levar longe. Nos tempos atuais, você vê o filme e supõe que Bush é parente direto de Gump (menos esperto, eu diria). A ver e rever.


enviada por DouglasReis


26/03/2008 09:57

I'll be back!

Volto mais tarde para responder a uma amiga que não gostou de meu comentário sobre o "Clube da Luta" e para falar de outro desafeto cinematográfico meu, o demagogo do cinema, Oliver Stone.
enviada por DouglasReis





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