Errático - reloaded

10/05/2008 16:58

O hipócrita do cinema

Como já prometido há muito tempo, retorno a este meu espaço para falar de filmes de guerra, especialmente a do Vietnã e, claro sobre o maior hipócrita do cinema, o norte-americano Oliver Stone.
Que os EUA são o povo mais cínico e reacionário do planeta, creio que é quase um consenso. Mas a guerra do Vietnã, mais até do que os atentados de 11 de setembro de 2001, mostra-se um episódio exemplar do caráter desta estranha gente.
Neste sentido, muita gente acreditou na ladainha da maioria dos filmes de guerra sobre o Vietnã, que ou se mostram como super-heróis (Rambo), ora como vítimas. Em ambos os casos, estão mentindo. Neste campo fértil em podridão vicejou o reacionarismo travestido de liberalismo de Oliver Stone. Trata-se de um diretor medíocre, com filmes medíocres, que perpetrou o filme mais ignominioso já feito sobre a guerra do Vietnã: trata-se de "Platoon" (1986), na qual o diretor (que diz ter se baseado em sua própria experiência no "front") adota o esquema maniqueísta de um sargento "bom" e um "mal", bem como o expediente de mostrar os soldados vietcongs como assassinos silenciosos, que apavoram os soldados americanos. O filme é chatíssimo e se pretende filosófico, metafísico, chame como quiser, mas não passa de um monte de vazio. No entanto, à época, levou uma penca de prêmios pelo mundo afora e foi aclamado por muitos como um testamento cinematográfico do período.
A verdade nesta estória é que os americanos encontram-se hoje no mesmo atoleiro, com relação ao Iraque. Trata-se de uma guerra que não conseguem vencer e cuja derrota não conseguem admitir. No Vietnã, os mortíferos guerreiros vietcongs eram mal armados, mal alimentados, eram bombardeados dia sim, o outro também, comiam rato morto com arroz. Ou seja, passaram muito longe do que foi mostrado em "Platoon". Só venceram a guerra porque, futebolisticamente (ou lulisticamente) falando, jogavam em casa e contavam com o apoio da torcida (o resto do mundo). Mas os EUA não admitem que apanhavam de bêbado e, ao tirar o time de campo, empreenderam um esforço midiático a nível mundial para amenizar a vergonhosa derrota, pulando do extremo de vítimas a heróis. Daí resultaram os "rambos" e seus subprodutos e, claro, "Platoon".
enviada por DouglasReis






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